domingo, 6 de agosto de 2017

QUAL O PROBLEMA DA NOSSA EDUCAÇÃO?

A cada nova pesquisa ou resultado de avaliações nacionais e internacionais, nos deparamos com o fraco desempenho de nossos estudantes. Tornou-se tão comum que já nem mais nos surpreendemos. O Estado do RS, por exemplo, passou das primeiras posições para posições mais inferiores em poucos anos;

"O Rio Grande do Sul ocupa a SEXTA posição do ranking nacional das notas médias por escola do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2015. O Estado, que já liderou a lista em 2011, vem perdendo posições ao longo dos anos".  
"O Estado alcançou, em 2015, o pior desempenho desde o início da série histórica do Índice de Desenvolvimento da Educação (Ideb), em 2005. A nota alcançada no ano passado foi 3,6. Em 2005, a média era 3,7".

O que ocorre no RS é um exemplo de que a educação não vai bem, mas em todo o país. Em 2016, o Estado ficou em 6º lugar no ENEM e obteve 3,6 (abaixo da média nacional, de 3,7, e da meta de 5,2) no IDEB geral. Em média, quase metade das escolas gaúchas são "reprovadas" na redação do ENEM. Nota-se também o abismo que existe entre as instituições públicas e privadas, e entre as escolas paulistas em relação ao restante do país.

Como explicar esse "fenômeno"? Sabemos que politicamente, a educação é cheia de promessas vazias, mas, mesmo assim, podemos fazer melhor com o que temos. Como justificar o fato de que escolas precárias cujos alunos estão na miséria conseguem obter melhores desempenhos? Piauí e Ceará tem se destacado no quesito "surpresa". Não, o ENEM não é um jogo de futebol em que uma "zebra" ocorre na sorte... Com certeza, essas escolas tiveram um longo caminho a percorrer e, o principal, a dedicação de seus estudantes e professores.

Tecnologia; aliada ou vilã?

Ao mesmo tempo que proporciona facilidade de conhecimento aos professores e ensino temático agradável aos alunos, a tecnologia tem transformado negativamente a educação. Ela é boa? É ruim? Deve ser suprimida? Adotada sem restrições? Confesso que não sei... Ainda sou meio cético com esse papo de educação 2.0... Qual o problema? Bem, como não é minha intenção debater esse tema neste post, vou indicar, em minha opinião, alguns pontos positivos e negativos da "educação digital":

BOM
- Temos acesso a materiais ótimos e inimagináveis, como arquivos sobre a ditadura brasileira em Washington, sobre a vida dos faraós egípcios ou o período Nazista na Alemanha. Algo impensável a poucos anos atrás; se desejasse estudar algum documento, o historiador (ou professor) teria de ir até o local, geralmente em outro país. A internet nos trouxe essas "jóias" didáticas até em casa.
- Imagens; a imensidão de recursos é tamanha que muitas vezes esquecemos que é possível visualizar praticamente qualquer mapa via Google Maps e sites semelhantes. Imagens de satélite para Geografia? Nossa, parecia coisa de outro mundo. Hoje temos em mãos com poucos cliques, e facilitam muito a nossa compreensão. Mapas não são mais meros rabiscos e sim "obras de arte" impressas com detalhes e em cores reais.
- Envio de materiais; tem coisa melhor que precisar enviar algum trabalho para a escola ou alunos e enviar via e-mail? Útil naqueles dias que você não tem tempo, ou está caindo uma tempestade...
- Cópias; tem coisa melhor que scannear ou fotocopiar qualquer coisa que lhe interesse? Viu aquela imagem ou artigo de uma revista que não pode emprestar nem comprar? não tem problema...
-  Sabe, aquele tempo que você só assistia documentário do TV Escola ou algum filme quando a professora subtraía seu lindo salário pra locar na cidade grande, distante 50 Km? Acabou né... hoje baixamos em horas a maioria dos filmes e documentários que desejamos, de graça, e ainda carregamos pra lá e pra cá em DVD ou Pen Drive, tornando bem mais fácil o nosso trabalho.
- Hoje, se temos uma dúvida basta pesquisar no Google ou outro mecanismo de pesquisa. Podemos ser autodidatas. Claro que não basta a tecnologia, devemos nos interessar, pesquisar, selecionar fontes confiáveis e ir atrás dos conteúdos. Quando aluno, eu tinha apenas alguns livros disponíveis na biblioteca, jornais  e revistas desatualizados para pesquisar, além do limitado livro didático. Certa vez, ganhamos países para pesquisar em geografia; eu recebi Bahamas. Um país que desconhecia totalmente. Pesquisar sobre ele foi um sacrifício. Depois de muito trabalho, consegui uma pequena notícia sobre lá, como não tinha bandeira em anexo (precisava), desenhei. A gente se virava com o que tinha.

RUIM
- Acredito que a maioria dos professores irão concordar; o inferno que tem se tornado as aulas com o uso proibido de celular é unânime, fazendo deste o grande vilão da educação digital. Há casos de agressões, insultos, fotos indevidas, pais fora do controle defendendo os filhos (que estão errados), distração total do aluno, atividades em branco, interrompimento de aulas, perda de tempo, etc... Para piorar, muitos copiam as coisas sem ler, estudar ou se esforçar, não sabendo diferenciar "pesquisar" de CTRL+C CTRL+V.
- Essa depende muito do (a) professor (a), porém é real; deixa-se a criatividade do aluno de lado e sempre opta-se por fotocópias disso e daquilo... Será que ele irá aprender? Ser criativo? Ser autônomo?
- Infraestrutura inadequada; fala-se muito que a tecnologia "chegou", educação 2.0, blá blá blá... Vai "recuperar a degradada estrutura física das escolas públicas gaúchas e conectá-las às novas tendências da educação". A vitrine é bonita, mas isso é uma realidade que por vezes passa longe das escolas públicas. Você até tem os meios, mas não tem o primordial. Levas de aparelhos foram distribuídas Brasil afora, mas muitos estão estocados ou abandonados por dificuldades de uso. Faltam salas específicas, redes, internet de boa qualidade, sinal de provedor, etc... É como ter um carro e não ter gasolina pra andar. Resumindo; dinheiro desperdiçado pelo ralo. Existe também a questão do preparo; muito estudante de escola pública nunca tocou em um computador na vida (uma grande quantidade de professores (assim como alunos) ainda não sabe usar o computador de maneira satisfatória). Segundo a Unesco, 80% dos alunos do ensino médio da rede pública não têm equipamento em casa; nas escolas pagas, 40%. Além dos problemas de percurso, a informática na escola ainda encontra outras dificuldades; alunos vândalos que depredam o patrimônio público, incompatibilidade com programas (especialmente Linux) e ausência ou queda de sinal da internet.
- O estudante forma um círculo vicioso e passa a pesquisar qualquer coisa na WEB, desde coisas básicas como "quem descobriu o Brasil" e "quais são os cinco continentes".
- O contato pessoal, a autonomia e a troca de ideias com colegas e professores muitas vezes ficam em segundo plano.
- Alguns alunos podem se sentir "excluídos" se não conseguirem o mesmo desempenho que os demais, muitas vezes "mestres" em informática.
- O aluno deixa de praticar frequentemente a leitura e a escrita, tão necessários para a formação acadêmica e escolar. Além disso, passa a cometer erros grotescos de escrita, influenciado pelas redes sociais e suas ausências de normas de língua portuguesa. É Nóis!
- Citei acima sobre a bagunça que o celular traz á sala de aula; não é á toa, pois os estudantes atuais estão cada vez mais impacientes, irritados e ficam nervosos quando têm que deixar os seus aparelhos e jogos de lado, mesmo sabendo que estão descumprindo normas e cometendo infrações graves, pois a proibição do celular é LEI.
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"A tecnologia em si não é a causa dos problemas, mas sim o abuso do uso de suas ferramentas cometido pelos usuários". Concordo. Para quem se interessar, essa publicação de estudo da USP exemplifica o problema;
http://wiki.icmc.usp.br/images/4/43/Inform%C3%A1tica_e_Educa%C3%A7%C3%A3o_%E2%80%93_Pontos_Negativos.pdf

*** Atualmente, compõem para análise os resultados dos seguintes exames; Índice de Desenvolvimento da Educação (Ideb), Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), Provinha Brasil - Língua Portuguesa (leitura e escrita) e Matemática, Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) - este apenas de linguagens, matemática e ciências, Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA), Índice ou Exame Geral de Cursos (IGC), Olimpíadas do Conhecimento (caso da OBMEP), entre outros.

Fontes;
http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/educacao/noticia/2016/10/o-que-os-dados-do-mec-mostram-sobre-a-educacao-no-rs-7702179.html
http://produtos.seade.gov.br/produtos/spp/v23n01/v23n01_01.pdf
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-88392000000100014
https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/12869/12869_4.PDF
http://www.if.ufrj.br/~pef/aulas_seminarios/seminarios/2008_2_6_marta.pdf
http://webeduc.mec.gov.br/
http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/educacao/noticia/2015/08/rs-tem-a-6-melhor-media-entre-as-escolas-participantes-do-enem-4817877.html
http://appprova.com.br/wp-content/uploads/2016/10/Resultados-Enem-2015-evolucao-top100.png
https://educacao.uol.com.br/noticias/2016/10/05/veja-7-escolas-mais-pobres-com-medias-melhores-do-que-as-de-colegios-ricos.htm
https://educacao.uol.com.br/bancoderedacoes/propostas/perigos-do-universo-digital.htm
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2904200313.htm
http://noticias.universia.com.br/destaque/noticia/2013/06/10/1029419/4-lados-negativos-da-tecnologia-estudantes.html

OBRIGADO PELA VISITA.